quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nos bastidores do Pan

Alunos da FSMA falam sobre a experiência de trabalhar
como voluntário nos jogos Pan-americanos

O Brasil encerrou sua participação nos XV Jogos Pan-americanos – o Pan do Rio – com sua melhor campanha. Foram 54 medalhas de ouro e 161 no total, garantindo o 3º lugar no quadro de medalhas. O maior evento esportivo das Américas reuniu, durante 16 dias, 5.662 atletas de 42 países e fez a festa de milhares de pessoas.

Mas nem só de atletas se faz um Pan. A colaboração de 15 mil voluntários foi a chave do sucesso na realização do evento. Pessoas que vieram de todos os cantos do País pelo simples prazer de ajudar e participar. Para alguns, o evento proporcionou uma grande experiência profissional. Entre eles estavam Júnior Barbosa e Vanêssa Cunha, alunos do 5º período de Jornalismo da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora.

“Decidi ser voluntário por já ter participado de outros eventos, mas nada que se comparasse ao Pan. Queria conhecer mais sobre o evento esportivo e ter a oportunidade de conviver com outras pessoas, culturas e com os principais jornalistas esportivos do país”, explica Júnior.
Para Vanessa, a experiência serviu como um estágio intensivo durante esses 16 dias de Jogos, dando uma noção de como funciona a cobertura de um grande evento esportivo. “Foi uma experiência única que com certeza gostaria de repetir”, relembra.

Experiências inesquecíveis
Quem não gostaria de vivenciar um evento histórico e ainda adquirir conhecimentos profissionais? Vanessa trocou suas férias por essa oportunidade, trabalhando como apoio de imprensa no Velódromo da Barra, onde ocorreram as disputas de ciclismo (pista) e patinação de velocidade.

“Mesmo não produzindo nada na parte jornalística, pude observar nas coletivas, tribuna de imprensa e zona mista como os profissionais da área trabalham. Aprendi técnicas de bastidores e os cuidados que devemos ter com a informação”, conta.

Júnior também trabalhou no apoio de imprensa, mas em diversos locais: complexo do Maracanã, Maracanãzinho, Júlio Delamare, Arena Multiuso, Parque Aquático Maria Lenk e Posto 6 de Copacabana. Sua função era organizar notícias, coletiva de imprensa, reportagens de jogos e zona mista, onde os atletas concediam entrevistas depois de cada jogo e relatar os resultados para a Central de Imprensa. A proximidade com os grandes veículos de comunicação fez com que entendesse como funcionam as transmissões desses eventos.

“Foi sem dúvidas uma das maiores experiências que eu tive. Conheci muitos profissionais da área técnica da Globo. Era um mundo de informação em caminhões com aparelhagem de ponta. O trabalho da imprensa era fundamental para o sucesso do Pan e sua divulgação em todo o mundo”, lembra. O que mais achou interessante foi a tecnologia utilizada. “Os fotógrafos tiravam fotos e instantaneamente elas já estavam disponíveis para todos os veículos de comunicação”, completou.

Prática de falar em público foi fundamental
A proximidade com jornalistas renomados permitiu uma troca de experiências indispensável a qualquer futuro profissional. Vanêssa Cunha teve a oportunidade de observar como a imprensa internacional funciona, principalmente a chilena e a argentina. “Eles também foram muito receptivos. Até recebi dicas de um jornalista chileno de como deve ser a postura num evento esportivo, de mais descontração”, explica.

Para o aluno Júnior Barbosa, também foi uma oportunidade de colocar em prática o que tem aprendido na faculdade. “Eu tinha que escrever corretamente – notícias dos jogos e entrevistas com atletas, pois essas matérias serviriam de base para a Central de Imprensa. Coloquei em prática experiências de falar em público, nas apresentações que costumamos fazer nos seminários da faculdade. Isso com certeza me deu maior segurança e confiança para encarar, às vezes, uma sala com mais de 300 jornalistas, como foi na Cerimônia de Abertura”, conta.

E viva o “portunhol”
Outro grande aprendizado que os voluntários tiveram foi o de ultrapassar o obstáculo da língua. Júnior que também teve a função de recepcionar a imprensa do Canadá e Estados Unidos empenhou-se para orientar uma comitiva de mexicanos. “Eles falavam muito rápido e tive que me virar no “portunhol” para me comunicar. Pior quando uma comitiva das Olimpíadas de Pequim chegou no Maracanãzinho e não falavam outra língua”, se diverte.

Mas e quando, em vez de recepcionar, você tem que pedir para que alguém se retire? Vanêssa passou por essa situação com um jornalista argentino que não respeitou o espaço delimitado para imprensa. “Eu não tive que mandar que ele saísse, mas avisei minha coordenadora e ela pediu para que ele se retirasse da zona mista”, conta. “Também tive que usar o “portunhol” para conversar com os atletas que estavam interessados nas brasileiras", completa.

Amigos e contatos profissionais
Depois de 16 dias de adrenalina, trabalho e diversão o que ficou foi a experiência vivida e o orgulho de ter participado do maior evento esportivo realizado no Brasil. “Passar esses dias longe de casa me fez crescer pessoalmente e profissionalmente. Fiz muitos amigos. Aprendi lições valiosas, de que para tudo sair certo é preciso trabalhar com organização e responsabilidade", disse Vanessa.

Além de amigos, Júnior aproveitou para fazer contatos profissionais e foi convidado para participar dos próximos Jogos Pan-americanos, em Guadalajara, México. “Conheci muita gente da imprensa esportiva carioca e fiz algumas amizades, até dentro do próprio Comitê Olímpico Brasileiro. Fiquei feliz por ter meu trabalho reconhecido e sei que no futuro, portas importantes se abrirão para mim”, conta.


Camila Monteiro
Aluna do 5º Período de Jornalismo e
monitora de Webjornalismo da FSMA